VIVA O DIA DA HQ NACIONAL!

TONY JAMPADA© em: AVATA(rado)R

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CAPITÃO CAPITALI$TA em: Lá em baixo!

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NIÑO - O ITALIANINHO em:  È ragazzo o ragazza?!

  TIRA 01 - TIRA 02



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h16
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OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 3 de 3)

 

Perramus - Dente por Dente (Globo)

O povo argentino pós-ditadura está sem motivações. Perramus, o protagonista, tem como missão achar os dentes perdidos do crânio de Carlos Gardel e assim recuperar o “sorriso” do povo latino-americano. Entre as participações especiais estão Fidel Castro, um sacana Frank Sinatra e os escritores Luis Borges e Gabriel Garcia Márquez. A arte de Alberto Breccia (Che - Os últimos dias de um Herói) demora pra se codificar apesar de bonita. Curiosidade: este é o 4.º álbum da série, contudo foi o 1.º a ser lançado aqui por causa da diversidade de editoras originais.

 

Retalhos (Quadrinhos na Cia.)

Há quem não goste da sincera biografia de Craig Thompson. O autor foi vítima de abuso sexual, da intolerância religiosa, da humilhação escolar e outras agruras da vida. Tudo isso é resgatado nas suas hábeis e belíssimas pinceladas. Mas o que esquecem são as descobertas, não os traumas, como as brincadeiras e desavenças com o irmão caçula, a relação com Raina, a sua primeira namorada, o rumo de sua vida após a paixão e por ai vai. As pessoas que criticam severamente Retalhos esquecem o essencial: a inocência humana, perdida ou não.

 

Sábado dos meus amores (Conrad)

Sem dúvida o melhor lançamento nacional. Já na primeira página Marcello Quintanilha (Fealdade de Fabiano Gorila) apresenta um quadrinho-crônica homenageando Rubem Braga. Perfeito. Diagramação, tonalidades, arte e balões com personalização impressionantes. As superstições do torcedor fanático, o mundo do circo e temas delicados como autoflagelação são abordados nos seis contos, pérolas do melhor dos quadrinhos da terra brasilis.

 

The Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse (Devir)

Não gosto da música do My Chemical Romance, mas Gerard Way, o vocalista da banda, é um bom escritor, quem diria. Apesar dos clichês, ele brinca com a estrutura narrativa, coloca conceitos malucos (não é à toa que Grant Morrison assina o prefácio) e tem bom humor com o grupo de jovens super-heróis. O brasileiro Gabriel Bá com seus desenhos estilizados é um espetáculo à parte, junto com as belas capas de James Jean (Fábulas).

 

Três Dedos - Um escândalo animado (Gal)

Válida paródia sobre Disney e seu personagem mais famoso, Mickey Mouse. No mundo em que humanos vivem ao lado dos “atores” animados, um terrível segredo é revelado em tom de documentário. Personagens da trama são entrevistados anos depois, intercalando com matérias da época. Apesar dos desenhos de Rich Koslowski serem bonitos, ele demonstra preguiça (ou seria técnica?) através da repetição exaustiva, “enganando” até com espelhação de desenhos.

 

Umbigo sem fundo (Quadrinhos na Cia.)

Após 40 anos de matrimônio um casal reúne a família e anuncia a separação. Dash Shaw dita o ritmo no número de quadros (e na ausência deles) em mais de 700 páginas, expõe a reação de cada um dos filhos e escancara a relação de cada um com seus cônjuges e rebentos. A despedida do ex-casal é tocante. O traço é feio, porém funcional. Mesmo herdando de Chris Ware muitas experimentações, algumas deixam transparecer suas limitações como desenhista (como colocar a seta e “explicar” o objeto retratado).

 

Valsa com Bashir (L&PM)

Um ex-soldado de Israel não consegue lembrar fatos ocorridos no começo dos anos 1980. Essa busca foi retratada na animação ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro ano passado. O diretor e roteirista Ari Folman adapta o longa-metragem pros quadrinhos, auxiliado com as ilustrações do diretor de arte David Polonsky. Infelizmente o final perde impacto no papel.

 

Verão Índio (Conrad)

Hugo Pratt, o criador de Corto Maltês. Milo Manara, um dos grandes nomes das HQs eróticas. Verão Índio, uma obra-prima. No Século XVII um estupro de uma jovem (re)coloca dois povos em conflito, colonizadores e colonizados. As consequências são ligadas historicamente ao escritor Nathaniel Hawthorne e ao romance A Letra Escarlate. Ação, intolerância, erotismo e reviravoltas. Repito: obra-prima! Curiosidade: a dupla produziu também El Gaúcho.

 

Watchmen - Edição Definitiva (Panini)

O que dizer de Watchmen?! É a desconstrução do mito do super-herói nos anos 1980 (o qual seria reinventado mais tarde), usando teoria do caos, física quântica, metalinguagem, viagens temporais, eventos históricos, ubiquidade, cinema, os próprios quadrinhos, etc. e tal. Ah! E Alan Morre e Dave Gibbons.

 

ZDM - Terra de ninguém (Panini)

Os EUA vivem sua segunda guerra civil. Um importante jornalista e seu estagiário vão entrar em Manhattan, a zona desmilitarizada, mas algo dá errado. Brian Wood leva-nos a refletir sobre as mazelas da guerra, declaradas ou não, do dia a dia. O italiano Riccardo Burchielli coloca sofisticação europeia graficamente. “Todo dia é 11/09” está pichado no muro e nas histórias de ZDM. Mais uma vez a arte imita vida...

Como tudo em volta, tem um... "FIM".



:::: Escrito por Audaci Junior às 22h11
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OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 2 de 3)

Frequência Global - Volume 1 (Panini)

Warren Ellis é uma metralhadora giratória de ideias (Planetary e Transmetropolitan são suas melhores obras). Como em Fell (com arte de Ben Templesmith), cada história é independente e narra uma missão da agência secreta que tem agentes espalhados pelo mundo para salvá-lo sem que ele saiba. Nos desenhos estão artistas do cacife de Garry Leach (Miracle Man), Glenn Fabry, Steve Dillon (ambos de Preacher), Roy Martinez (Aria), Jon J. Muth (Moonsadow) e David Lloyd (V de Vingança). Curiosidade: a série teve um piloto pra TV que nunca foi ao ar.

Gênesis por Robert Crumb (Conrad)

Não há dúvidas que Crumb é o nome das HQs underground. Quando veio a notícia do primeiro livro da Bíblia na visão deste ícone da contracultura muitos pensavam em subversão do texto sagrado. Ledo engano! Ele põe o texto literal, o que torna a leitura por vezes cansativa, e, como um Gustave Doré under (longe de seu delineado caricatural e distorcido), nos mostra com traços minuciosos a “palavra dos homens”, seja mito ou não. 

 

Gourmet (Conrad)

Não leia essa mangá com fome! Um detalhado documentário proustiano sobre a gastronomia japonesa, sem auxílio de mestres-cucas ou especialistas de culinária. São 18 histórias curtas sobre as perambulações do protagonista, um apressado e anônimo comerciante, por vários locais do Japão na hora de comer. Lendo Gourmet você salivará muitas vezes e terá vontade de comer iguarias que sua boca nunca ouviu falar! Por Jiro Taniguchi, o mesmo do ótimo Seton (que a Ed. Panini sumariamente cancelou) e Masayuki Kusumi. 

Hellboy Ed. Histórica 4 - A Mão Direita da Perdição (Mythos)

Hellboy é um personagem carismático. Suas histórias abordam o terror por muitas vezes pesquisado em lendas de civilizações e com base em escritores do calibre de Edgar Allan Poe ou HP Lovecraft. Mesmo assim não é assustador, mas entretém nessas coletâneas. Mike Mignola mostra seu ecletismo em aventuras engraçadas (Panquecas), poéticas (A Natureza da Fera), moralistas (Rei Vold), surreais (Cabeças), lovecraftianas (Adeus, Sr. Tod), oníricas (O Várcolac), ou todas elas juntas (A Caixa do Mal). Quer mais?  

Jimmy Corrigan - O Menino Mais Esperto do Mundo (Quadrinhos na Cia.)

O lançamento mais aguardado do ano. Uma história semibiográfica, melancólica e amarga sobre um tímido homem de meia-idade que se encontra com o pai que nunca viu na vida. O premiado Chris Ware eleva o patamar das HQs ao da literatura (sem se curvar a ela) com sua inovadora e complexa narrativa, experimentando estruturas nunca feitas antes ou pouco usuais no meio dos quadrinhos: invertendo a leitura, inserindo diagramas, setas e modelos para montar. Obrigatório! Curiosidade: a pedido do autor a edição nacional saiu como a original.

 

Johnny Cash - Uma Biografia (8Inverso)

Biografia do músico norte-americano feita pelo alemão Reinhard Kleist. Ao contrário do filme Johnny & June (Walk the Line, 2005), com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon, foca menos no romance. O fio condutor do álbum é um detento que fez uma letra para o cantor tocar na sua visita ao presídio. Embora retrate sua infância, o autor aborda boa parte da trajetória de Cash nos anos 1950 e 1960, além de mesclar realidade com ficção por meio das músicas. Resenha no ETC.

Local - Fim da Jornada (Devir) 

Já tinha lido Brian Wood em ZDM e gostei muito. Mas para saber se ele era bom mesmo tinha que lê-lo em outra série. E Local provou que é um grande escritor. Fim da Jornada é o segundo e último tomo das viagens de Megan McKeenan, que vaga de Estado em Estado tentando criar raízes. São 12 histórias, 12 locais e 12 anos na vida da protagonista, que por vezes é coadjuvante. Os belos desenhos de Ryan Kelly lembram Paul Pope (100%), mas tem características próprias, uma sóbria adaptação com a história/personagens (vide os capítulos 9 e 10) e uma visível evolução ao longo das páginas.

MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas (Panini) 

Comemorando os 50 anos de carreira do criador da Turma da Mônica nasceu essa homenagem com 50 artistas nacionais. O álbum abre em grande estilo com Laerte (Piratas do Tietê) e segue com nomes como Ziraldo (Menino Maluquinho), Fernando Gonsales (Níquel Náusea), Fábio Moon e Gabriel Bá (10 Pãezinhos), Spacca (Jubiabá), Mascaro (Ragu), Rafael Sica (Quadrinho Ordinário), entre outros. Tem grandes homenagens e também tem histórias fracas e repetitivas. Mas é a última história, a do Vitor Cafaggi (Puny Parker), que vale por todas elas!

 

Nova York - A Vida na Grande Cidade (Quadrinhos na Cia.)

Quatro graphic novels em um só volume: as republicações Nova York - A Grande Cidade (1988, Martins Fontes) e O Edifício (1989, Abril), e as inéditas Caderno de Tipos Urbanos e Pessoas Invisíveis. Não tem como negar que Will Eisner adorava a Grande Maçã com seu ritmo, cheiros, concreto, histórias e pessoas. Grande observador não só pros desenhos, Eisner extraia contos sensíveis, densos e poéticos de coisas que sempre passam despercebidas por nós, mortais. 

 

O Chinês Americano (Quadrinhos na Cia.) 

Um jovem imigrante chinês se adaptando na escola norte-americana. Um estudante tipicamente norte-americano recebendo a visita do primo chinês. Um macaco que queria ser deus. Gene Luen Yang mostra estas situações em paralelo e amarra todas numa forçada conclusão. A releitura da lenda do Rei Macaco (que inspirou Dragon Ball) e uma plateia que ri em claque como nos sitcoms são os pontos altos. Não é o melhor lançamento de 2009, mas merece ser visto. Curiosidade: ganhou o prêmio Michael L. Printz, até então inédito para HQs. 

Como a vida: "Continua..." 



:::: Escrito por Audaci Junior às 10h10
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