OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 1 de 3)

Estão listadas aqui as HQs que achei as melhores e que foram lançadas no ano de 2009. Infelizmente algumas ainda não li ou ainda não adquiri (como Peanuts Completo de Charles Schulz ou Yeshuah de Laudo Ferreira Jr., entre outras), mas poderão ser citadas em outra oportunidade. Para não se ter prerrogativas a lista está em ordem alfabética...

 

A Casta dos Metabarões - Tomos 2 e 3 (Devir)

O chileno Alejandro Jodorowsky nos mostra como começou a dinastia intergaláctica dos temíveis Metabarões, vistos antes no traço de Moebius na série O Incal. Diferente da sua antecessora, esta saga é menos complexa e hermética (isso não quer dizer menos inteligente), com momentos voltados para o humor através de seus narradores: Lothar e Tonto, os andróides do atual Metabarão, homenagem aos ajudantes dos personagens Mandrake e Cavaleiro Solitário, respectivamente. O “senão” é justamente a repetição cômica dos robôs, com chips e transistores queimados pela apreensão durante a tensa narração. Em destaque as belas pinceladas do argentino Juan Gimenez.

Aya de Yopougon 1 (L&PM)

Marguerite Abouet nasceu na África do Sul, mas foi morar na França, onde se tornou autora de quadrinhos. Toda sua bagagem sobre sua terra natal é relatada nessa HQ, mas não de forma biográfica como Persépolis, da Marjane Satrapi. Os problemas de adolescentes comuns poderiam passar em qualquer lugar do mundo (namoro, casamento, escolha da profissão), tudo charmosamente “decorado” com costumes, culinárias e gírias locais e no traço marcante do francês Clément Oubrerie. Um outro lado da África - divertido e suave - que mal conhecemos. Curiosidade: Como Persépolis uma animação de Aya está sendo produzida.

 

Assunto de Família (Devir)

Depois de 1978 quando lançou Um Contrato com Deus e o termo graphic novel (“novela gráfica”), Will Eisner, como vinho, melhorava cada vez mais (apesar de particularmente não gostar de sua última e didática obra, O Complô). Como em outras de suas obras, o autor revisita a instituição família e eviscera tudo no reencontro dos parentes no aniversário do patriarca, debilitado e dono de uma grande herança. Tudo com o tom sépia, a narração e os traços habituais do mestre. Ainda permanecem inéditas por aqui pouquíssimas HQs pós 1978. Curiosidade: Assunto de Família concorreu ao Eisner Awards em 1998.  

 

Batman - A Piada Mortal (Panini)

Originalmente lançada na esteira do filme Batman de Tim Burton (1989), a pequena obra-prima de Alan Moore e Brian Bolland foi reeditada, com direito a capa dura, extras e nova colorização soturna do próprio Bolland. Como a bela capa já nos mostra, não é uma HQ do Homem-Morcego. A origem do Coringa contada com maestria e estilo do autor britânico, com flashbacks, falas como rebites de outras cenas e muita, mas muita ironia (o desfecho é chocante). Uma passagem que sempre ficará na nossa cabeça: a sequência onde o vilão atira e aleija Bárbara Gordon, a Batmoça! Curiosidade: Moore não gosta desta história.

 

Breakdowns - Retrato do artista quando jovem %@$*! (Quadrinhos na Cia.)

Art Spiegelman é sempre lembrado por Maus - a história de um sobrevivente. Só que existem bons quadrinhos como À Sombra das Torres Ausentes e Breakdowns. Esta coletânea é um apanhado de várias HQs curtas que o autor lançou na década de 1970, com direito a uma ótima introdução em forma de quadrinhos, melhor até do que os principais. Um livrão capa dura com acabamento luxuosíssimo (como À Sombra...) e vital para uma referência underground sem ser a do Robert Crumb. Resenha da obra na minha coluna no ETC - Entretenimento, Tecnologia & Contemplação.

 

Copacabana (Desiderata)

Début do editor Sandro Lobo com o traço estilizado e sujo de Odyr Bernardi sobre o lado B do Rio de Janeiro, com prostitutas, agiotas, travestis, turistas sexuais, policiais, traficantes e escritores de folhetim. Tudo começou anos atrás com as andanças do autor insone pelas ruas da cidade, recolhendo “de ouvido” casos e histórias da noite carioca. Uma trama noir tupiniquim onde tudo está interligado, até mesmo o moleque que vende doces nos transportes coletivos. HQ de primeira mostrando uma Cidade Maravilhosa não tão maravilhosa assim...

 

Coringa (Panini)

A maioria que li de Brian Azzarello é bastante ruim comparado a 100 Balas (desenhada por Eduardo Risso). Mas ele acertou em colocar um bandido pé-de-chinelo para narrar e dar toda a atenção ao Coringa (Batman mal aparece), que após sair da prisão quer retomar seu império. A arte de Lee Bermejo, ora mais “limpa” e funcional (quando auxiliado por Mick Gray), ora mais detalhada e vistosa (arte-finalizada por ele mesmo), concede intensidade a momentos na trama. Curiosidade: o visual do Coringa é bem parecido com Heath Ledger no filme O Cavaleiro das Trevas.

 

Demolidor - O Homem Sem Medo (Panini)

Hoje em dia Frank Miller não acerta a mão nem nos quadrinhos (vide Grande Astros: Batman) e nem no cinema (vide o horrível The Spirit), mas antigamente ele sabia fazer uma HQ. Prova disso é O Homem Sem Medo, a origem do Demolidor recontada pelas mãos (na época) hábeis de Miller e no traço inimitável de John Romita Jr. (talvez seu melhor trabalho). A morte do pai, o acidente que o cegou, o treinamento com Stick, a paixão por Elektra e o confronto com o Rei do Crime. Todos os elementos que fazem parte do universo do herói estão lá. Tudo que Frank Miller foi um dia está lá.

 

Escalpo (revista Vertigo, Panini)

Os Sopranos indígena? Não é simples assim. Jason Aaron e R. M. Guéra fazem uma hábil narração que brinca com a cronologia nos primeiros números. Cavalo Ruim volta para a sua reserva 15 anos depois e conquista a confiança do “Poderoso Chefão” Corvo Vermelho, que oferece um emprego na polícia tribal. Mas nada é o que parece. Nação Indígena, o primeiro arco, tem pérolas como “Eu te deixei me ver mijar, seu idiota! Isso não significa algum tipo de compromisso?”, quando a namoradinha de infância confronta o protagonista no reencontro. Promete e muito!

 

Eu sou Legião (Panini)

Segunda Guerra Mundial e... vampiros?! Parece nonsense, mas o roteirista francês Fabien Nury, desconhecido por aqui e badalado na Europa, traça uma bem-amarada trama com cadência cinematográfica. Uma jovem camponesa capaz de controlar seres vivos à distância é a arma principal dos nazistas. Os Aliados ganham terreno com vitórias no Pacífico e Stalingrado. E ainda tem a Operação Valquíria no meio de tudo. Complicará um pouco para quem não sabe nada sobre o tema (a edição não tem nenhum extra sobre o assunto). A arte detalhista do norte-americano John Cassaday (Planetary), junto com as cores hiper-realistas da Laura Depuy, dão o clima à originalidade desta HQ europeia. Um ótimo exemplo de Bande Dessinée!

Como em alguns quadrinhos: "CONTINUA..."



:::: Escrito por Audaci Junior às 14h00
[   ] [ ]


[ página principal ] [ ver os escarros anteriores ]


 
:::: CUSPIDAS!

:::: REMINISCÊNCIAS!

:::: PRA CAIR FORA!








































































:::: LINKAR O BANNER!

:::: ESCARRÔMETRO!
  Dê uma nota pro blog


O que é isto?!