CAPITÃO CAPITALI$TA em: "já se foi o tempo das cabines telefônicas..."







:::: Escrito por Audaci Junior às 00h00
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Faça amor, não faça guerra!

Na minha infância eu não imaginaria uma animação onde a Smurfete seria currada por toda a aldeia de Smurfs ou a unicórnio de Caverna do Dragão seria usada para descobertas sexuais pelo pré-adolescente bárbaro em uma exótica zoofilia.

Ano passado a Devir lançou os três volumes de Lost Girls, de Alan Moore e Melinda Gebbie. As “garotas perdidas” que o título se refere são Alice (de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll), Wendy (de Peter Pan, de J. M. Barrie) e Dorothy (dO Mágico de Oz, de L. Frank Baum). Personagens dos contos infantis que temos lembranças quando crianças nas versões de musicais ou de singelos desenhos da Disney.

Nesta obra elas cresceram e se encontram casualmente em um hotel suíço, nas vésperas do assassinato do arquiduque Ferdinando, estopim da Primeira Grande Guerra. É neste cenário que elas contam suas descobertas sexuais uma para outra. Não apenas relatam como praticam também. Moore injeta conteúdo no pornográfico, com requintada prosa sexual herdada do Decadentismo (1880-1920) e cenas de sadomasoquismo, homossexualismo, pedofila, bestialismo, incesto e todo tipo de perversão ligada ao sexo.

O autor faz também alusões sobre as passagens fantásticas das personagens nos contos com seus respectivos "despertar sexual". Em um capítulo, a aristocrata Alice é molestada por um amigo do seu pai, que é albino e apelidado de “coelho”; Wendy e seus irmãos da média burguesia são iniciados sexualmente por um menino de rua que invadiu seu quarto pela janela (a sensação era como se ele estivesse ensinando-os a "voar"); e a caipira Dorothy relembra sua primeira masturbação em meio à um furação que destruiu a fazenda onde morava, no Kansas (o ápice era como se estivesse lançada para um novo mundo) e por ai vai, conduzindo-as pelos famosos episódios que deram notoriedade às moças.

Mas não fica só na carochinha depravada. O casal Moore e Gebbie colocam referências “reais” de um balé de Stravinsky que foi encenado pela primeira vez na época e a já citada deflagração da Primeira Guerra, onde a cultura, a imaginação, a arquitetura, a “humanidade” e tantos outros tesouros (por que não o sexo?) viriam a ser destruídos. Novamente um “fim da inocência”.

O trabalho de Melinda não teve nenhum retoque tecnológico. Para dar certo tom de pele era necessário várias camadas diferentes de cores. Ela aplica vários estilos em relação às personagens, usando como referência os pintores da época (como Toulouse-Lautrec, artista influenciado pelas prostitutas e cabarés parisienses). A diagramação para cada “garota perdida” é feita de forma particular. As histórias envolvendo Alice, por exemplo, sempre são elipsoidais e com reflexos de espelhos.

Lost Girls levou mais de dezesseis anos para ser concluída. Inicialmente publicada em partes, ela pulou de editora em editora até o autor decidir que era melhor finalizá-la para só depois oferecê-la ao mercado. Foi durante essa produção que Moore e Melinda começaram um relacionamento além do profissional, chegando ao casório anos mais tarde.

Os volumes nacionais não são como os estadunidenses (que vem em uma caixa, com dimensões maiores e capa forrada de tecido com alto relevo), que venderam cerca de 40 mil exemplares, mas é bem caprichada, com papel fosco de alta gramatura, capa dura com detalhes em dourado e sobrecapa. Elegante e não vulgar, mas libidinosa ao extremo.

Na minha infância eu não imaginaria essas (e todas as outras) personagens em conjunturas sexuais parecidas.

Mas – por bem ou por mal – a inocência sempre chega ao fim, como na guerra, nos desenhos animados, nos contos infantis ou no sexo.



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h32
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:::: Escrito por Audaci Junior às 01h45
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