NIÑO - O ITALIANINHO

 

(Agradecimentos ao Lucas Neves!)

TIRA 01 - TIRA 02 - TIRA 03



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h35
[   ] [ ]




É TRANSMETROPOLITAN, BASTARDOS!

 

TransmetropolitanO jornalista Spider Jerusalem, protagonista do quadrinho TRANSMETROPOLITAN, não é Ben Urich, muito menos Clark Kent. Escrita por Warren Ellis (Panetary, Frequência Global) e com arte de Darick Robertson (Fury, Wolverine), a história passa-se num futuro cyberpunk onde uma metrópole é denominada apenas como A Cidade.

Apesar dos avanços tecnológicos deste mundo vindouro, como a manipulação genética, criogenia, nanotecnologia e máquinas que se drogam, os motes essenciais são as relações sociais e políticas que regem toda a humanidade.

Ellis, sempre por dentro de todo tipo de referência, não perde tempo de criticar o sistema, a hipocrisia “moral”, a corrupção, a trivialidade sobrevalorizada e tudo que envergonha o mais “politicamente incorreto” na face da Terra.

Não é à toa que tal protagonista lembra muito o polêmico Hunter S. Thompson (1937-2005), autor de Medo e Delírio em Las Vegas (Conrad) e precursor do Jornalismo Gonzo. Esse estilo consiste não distinguir entre autor e sujeito ("gonzo" é uma gíria irlandesa para designar o último homem de pé após uma competição de bebedeira). A escrita e o comportamento extravagante de Jerusalem foram herdados de Thompson.

Hunter S. Thompson 

Em TRANSMETROPOLITAN o verborrágico jornalista estava há cinco anos afastado do caos da cidade grande, vivendo isolado no alto de uma montanha. Misantropo, ele não conseguiu se livrar da fama por escrever seus best-sellers Acenando e Afundando e Tiro na Cara.

Jerusalem e suas assistentesPor desrespeito de uma cláusula contratual, Spider Jerusalem volta para escrever sua coluna no jornal The Word (com o sugestivo nome de Eu Odeio Isso Aqui*), além de mais um livro sobre as eleições locais (Foi neste arco, O Ano do Bastardo, que parou sua publicação em terras tupiniquins).

TRANSMET fazia parte da Helix, HQs de ficção científica da DC Comics. Depois de um ano o selo foi cancelado e a série migrou para Vertigo, a linha adulta da editora. Originalmente teve 60 revistas, posteriormente encadernadas em 10 volumes.

No Brasil, o primeiro arco (De volta às ruas, em 3 edições) foi lançado em 1999 pela Metal Pesado/Tudo em Quadrinhos e foi dado continuidade em 2002 pela Brainstore até o número 18 original.

Já faz sete anos que TRANSMETROPOLITAN não é publicado por aqui. Atualmente quem detém os direitos da obra é a Editora Panini e recentemente divulgou o lançamento do volume 1 em breve. Uma ótima notícia!

Para quem aprecia a escrita de Ellis só nos resta expressar em fóruns, redes sociais e sites o quanto é importante a continuidade desta série empolgante, cáustica e inteligente.

Agora, como dizia o Spider Jerusalem em sua coluna, CAIAM FORA!

Spider Jerusalem

(*) O nome e design deste blog é por causa de TRANSMETROPOLITAN

Texto originalmente publicado no portal Quadrinho.Com



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h32
[   ] [ ]




VIVA O DIA DA HQ NACIONAL!

TONY JAMPADA© em: AVATA(rado)R

TIRA 01 - TIRA 02 - TIRA 03 - TIRA 04 - TIRA 05 - TIRA 06 - TIRA 07 - TIRA 08

...

CAPITÃO CAPITALI$TA em: Lá em baixo!

TIRA 01 - TIRA 02 - TIRA 03 - TIRA 04 - TIRA 05 - TIRA 06

...

NIÑO - O ITALIANINHO em:  È ragazzo o ragazza?!

  TIRA 01 - TIRA 02



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h16
[   ] [ ]




OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 3 de 3)

 

Perramus - Dente por Dente (Globo)

O povo argentino pós-ditadura está sem motivações. Perramus, o protagonista, tem como missão achar os dentes perdidos do crânio de Carlos Gardel e assim recuperar o “sorriso” do povo latino-americano. Entre as participações especiais estão Fidel Castro, um sacana Frank Sinatra e os escritores Luis Borges e Gabriel Garcia Márquez. A arte de Alberto Breccia (Che - Os últimos dias de um Herói) demora pra se codificar apesar de bonita. Curiosidade: este é o 4.º álbum da série, contudo foi o 1.º a ser lançado aqui por causa da diversidade de editoras originais.

 

Retalhos (Quadrinhos na Cia.)

Há quem não goste da sincera biografia de Craig Thompson. O autor foi vítima de abuso sexual, da intolerância religiosa, da humilhação escolar e outras agruras da vida. Tudo isso é resgatado nas suas hábeis e belíssimas pinceladas. Mas o que esquecem são as descobertas, não os traumas, como as brincadeiras e desavenças com o irmão caçula, a relação com Raina, a sua primeira namorada, o rumo de sua vida após a paixão e por ai vai. As pessoas que criticam severamente Retalhos esquecem o essencial: a inocência humana, perdida ou não.

 

Sábado dos meus amores (Conrad)

Sem dúvida o melhor lançamento nacional. Já na primeira página Marcello Quintanilha (Fealdade de Fabiano Gorila) apresenta um quadrinho-crônica homenageando Rubem Braga. Perfeito. Diagramação, tonalidades, arte e balões com personalização impressionantes. As superstições do torcedor fanático, o mundo do circo e temas delicados como autoflagelação são abordados nos seis contos, pérolas do melhor dos quadrinhos da terra brasilis.

 

The Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse (Devir)

Não gosto da música do My Chemical Romance, mas Gerard Way, o vocalista da banda, é um bom escritor, quem diria. Apesar dos clichês, ele brinca com a estrutura narrativa, coloca conceitos malucos (não é à toa que Grant Morrison assina o prefácio) e tem bom humor com o grupo de jovens super-heróis. O brasileiro Gabriel Bá com seus desenhos estilizados é um espetáculo à parte, junto com as belas capas de James Jean (Fábulas).

 

Três Dedos - Um escândalo animado (Gal)

Válida paródia sobre Disney e seu personagem mais famoso, Mickey Mouse. No mundo em que humanos vivem ao lado dos “atores” animados, um terrível segredo é revelado em tom de documentário. Personagens da trama são entrevistados anos depois, intercalando com matérias da época. Apesar dos desenhos de Rich Koslowski serem bonitos, ele demonstra preguiça (ou seria técnica?) através da repetição exaustiva, “enganando” até com espelhação de desenhos.

 

Umbigo sem fundo (Quadrinhos na Cia.)

Após 40 anos de matrimônio um casal reúne a família e anuncia a separação. Dash Shaw dita o ritmo no número de quadros (e na ausência deles) em mais de 700 páginas, expõe a reação de cada um dos filhos e escancara a relação de cada um com seus cônjuges e rebentos. A despedida do ex-casal é tocante. O traço é feio, porém funcional. Mesmo herdando de Chris Ware muitas experimentações, algumas deixam transparecer suas limitações como desenhista (como colocar a seta e “explicar” o objeto retratado).

 

Valsa com Bashir (L&PM)

Um ex-soldado de Israel não consegue lembrar fatos ocorridos no começo dos anos 1980. Essa busca foi retratada na animação ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro ano passado. O diretor e roteirista Ari Folman adapta o longa-metragem pros quadrinhos, auxiliado com as ilustrações do diretor de arte David Polonsky. Infelizmente o final perde impacto no papel.

 

Verão Índio (Conrad)

Hugo Pratt, o criador de Corto Maltês. Milo Manara, um dos grandes nomes das HQs eróticas. Verão Índio, uma obra-prima. No Século XVII um estupro de uma jovem (re)coloca dois povos em conflito, colonizadores e colonizados. As consequências são ligadas historicamente ao escritor Nathaniel Hawthorne e ao romance A Letra Escarlate. Ação, intolerância, erotismo e reviravoltas. Repito: obra-prima! Curiosidade: a dupla produziu também El Gaúcho.

 

Watchmen - Edição Definitiva (Panini)

O que dizer de Watchmen?! É a desconstrução do mito do super-herói nos anos 1980 (o qual seria reinventado mais tarde), usando teoria do caos, física quântica, metalinguagem, viagens temporais, eventos históricos, ubiquidade, cinema, os próprios quadrinhos, etc. e tal. Ah! E Alan Morre e Dave Gibbons.

 

ZDM - Terra de ninguém (Panini)

Os EUA vivem sua segunda guerra civil. Um importante jornalista e seu estagiário vão entrar em Manhattan, a zona desmilitarizada, mas algo dá errado. Brian Wood leva-nos a refletir sobre as mazelas da guerra, declaradas ou não, do dia a dia. O italiano Riccardo Burchielli coloca sofisticação europeia graficamente. “Todo dia é 11/09” está pichado no muro e nas histórias de ZDM. Mais uma vez a arte imita vida...

Como tudo em volta, tem um... "FIM".



:::: Escrito por Audaci Junior às 22h11
[   ] [ ]




OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 2 de 3)

Frequência Global - Volume 1 (Panini)

Warren Ellis é uma metralhadora giratória de ideias (Planetary e Transmetropolitan são suas melhores obras). Como em Fell (com arte de Ben Templesmith), cada história é independente e narra uma missão da agência secreta que tem agentes espalhados pelo mundo para salvá-lo sem que ele saiba. Nos desenhos estão artistas do cacife de Garry Leach (Miracle Man), Glenn Fabry, Steve Dillon (ambos de Preacher), Roy Martinez (Aria), Jon J. Muth (Moonsadow) e David Lloyd (V de Vingança). Curiosidade: a série teve um piloto pra TV que nunca foi ao ar.

Gênesis por Robert Crumb (Conrad)

Não há dúvidas que Crumb é o nome das HQs underground. Quando veio a notícia do primeiro livro da Bíblia na visão deste ícone da contracultura muitos pensavam em subversão do texto sagrado. Ledo engano! Ele põe o texto literal, o que torna a leitura por vezes cansativa, e, como um Gustave Doré under (longe de seu delineado caricatural e distorcido), nos mostra com traços minuciosos a “palavra dos homens”, seja mito ou não. 

 

Gourmet (Conrad)

Não leia essa mangá com fome! Um detalhado documentário proustiano sobre a gastronomia japonesa, sem auxílio de mestres-cucas ou especialistas de culinária. São 18 histórias curtas sobre as perambulações do protagonista, um apressado e anônimo comerciante, por vários locais do Japão na hora de comer. Lendo Gourmet você salivará muitas vezes e terá vontade de comer iguarias que sua boca nunca ouviu falar! Por Jiro Taniguchi, o mesmo do ótimo Seton (que a Ed. Panini sumariamente cancelou) e Masayuki Kusumi. 

Hellboy Ed. Histórica 4 - A Mão Direita da Perdição (Mythos)

Hellboy é um personagem carismático. Suas histórias abordam o terror por muitas vezes pesquisado em lendas de civilizações e com base em escritores do calibre de Edgar Allan Poe ou HP Lovecraft. Mesmo assim não é assustador, mas entretém nessas coletâneas. Mike Mignola mostra seu ecletismo em aventuras engraçadas (Panquecas), poéticas (A Natureza da Fera), moralistas (Rei Vold), surreais (Cabeças), lovecraftianas (Adeus, Sr. Tod), oníricas (O Várcolac), ou todas elas juntas (A Caixa do Mal). Quer mais?  

Jimmy Corrigan - O Menino Mais Esperto do Mundo (Quadrinhos na Cia.)

O lançamento mais aguardado do ano. Uma história semibiográfica, melancólica e amarga sobre um tímido homem de meia-idade que se encontra com o pai que nunca viu na vida. O premiado Chris Ware eleva o patamar das HQs ao da literatura (sem se curvar a ela) com sua inovadora e complexa narrativa, experimentando estruturas nunca feitas antes ou pouco usuais no meio dos quadrinhos: invertendo a leitura, inserindo diagramas, setas e modelos para montar. Obrigatório! Curiosidade: a pedido do autor a edição nacional saiu como a original.

 

Johnny Cash - Uma Biografia (8Inverso)

Biografia do músico norte-americano feita pelo alemão Reinhard Kleist. Ao contrário do filme Johnny & June (Walk the Line, 2005), com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon, foca menos no romance. O fio condutor do álbum é um detento que fez uma letra para o cantor tocar na sua visita ao presídio. Embora retrate sua infância, o autor aborda boa parte da trajetória de Cash nos anos 1950 e 1960, além de mesclar realidade com ficção por meio das músicas. Resenha no ETC.

Local - Fim da Jornada (Devir) 

Já tinha lido Brian Wood em ZDM e gostei muito. Mas para saber se ele era bom mesmo tinha que lê-lo em outra série. E Local provou que é um grande escritor. Fim da Jornada é o segundo e último tomo das viagens de Megan McKeenan, que vaga de Estado em Estado tentando criar raízes. São 12 histórias, 12 locais e 12 anos na vida da protagonista, que por vezes é coadjuvante. Os belos desenhos de Ryan Kelly lembram Paul Pope (100%), mas tem características próprias, uma sóbria adaptação com a história/personagens (vide os capítulos 9 e 10) e uma visível evolução ao longo das páginas.

MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas (Panini) 

Comemorando os 50 anos de carreira do criador da Turma da Mônica nasceu essa homenagem com 50 artistas nacionais. O álbum abre em grande estilo com Laerte (Piratas do Tietê) e segue com nomes como Ziraldo (Menino Maluquinho), Fernando Gonsales (Níquel Náusea), Fábio Moon e Gabriel Bá (10 Pãezinhos), Spacca (Jubiabá), Mascaro (Ragu), Rafael Sica (Quadrinho Ordinário), entre outros. Tem grandes homenagens e também tem histórias fracas e repetitivas. Mas é a última história, a do Vitor Cafaggi (Puny Parker), que vale por todas elas!

 

Nova York - A Vida na Grande Cidade (Quadrinhos na Cia.)

Quatro graphic novels em um só volume: as republicações Nova York - A Grande Cidade (1988, Martins Fontes) e O Edifício (1989, Abril), e as inéditas Caderno de Tipos Urbanos e Pessoas Invisíveis. Não tem como negar que Will Eisner adorava a Grande Maçã com seu ritmo, cheiros, concreto, histórias e pessoas. Grande observador não só pros desenhos, Eisner extraia contos sensíveis, densos e poéticos de coisas que sempre passam despercebidas por nós, mortais. 

 

O Chinês Americano (Quadrinhos na Cia.) 

Um jovem imigrante chinês se adaptando na escola norte-americana. Um estudante tipicamente norte-americano recebendo a visita do primo chinês. Um macaco que queria ser deus. Gene Luen Yang mostra estas situações em paralelo e amarra todas numa forçada conclusão. A releitura da lenda do Rei Macaco (que inspirou Dragon Ball) e uma plateia que ri em claque como nos sitcoms são os pontos altos. Não é o melhor lançamento de 2009, mas merece ser visto. Curiosidade: ganhou o prêmio Michael L. Printz, até então inédito para HQs. 

Como a vida: "Continua..." 



:::: Escrito por Audaci Junior às 10h10
[   ] [ ]




OS 30 MELHORES QUADRINHOS DE 2009? (Parte 1 de 3)

Estão listadas aqui as HQs que achei as melhores e que foram lançadas no ano de 2009. Infelizmente algumas ainda não li ou ainda não adquiri (como Peanuts Completo de Charles Schulz ou Yeshuah de Laudo Ferreira Jr., entre outras), mas poderão ser citadas em outra oportunidade. Para não se ter prerrogativas a lista está em ordem alfabética...

 

A Casta dos Metabarões - Tomos 2 e 3 (Devir)

O chileno Alejandro Jodorowsky nos mostra como começou a dinastia intergaláctica dos temíveis Metabarões, vistos antes no traço de Moebius na série O Incal. Diferente da sua antecessora, esta saga é menos complexa e hermética (isso não quer dizer menos inteligente), com momentos voltados para o humor através de seus narradores: Lothar e Tonto, os andróides do atual Metabarão, homenagem aos ajudantes dos personagens Mandrake e Cavaleiro Solitário, respectivamente. O “senão” é justamente a repetição cômica dos robôs, com chips e transistores queimados pela apreensão durante a tensa narração. Em destaque as belas pinceladas do argentino Juan Gimenez.

Aya de Yopougon 1 (L&PM)

Marguerite Abouet nasceu na África do Sul, mas foi morar na França, onde se tornou autora de quadrinhos. Toda sua bagagem sobre sua terra natal é relatada nessa HQ, mas não de forma biográfica como Persépolis, da Marjane Satrapi. Os problemas de adolescentes comuns poderiam passar em qualquer lugar do mundo (namoro, casamento, escolha da profissão), tudo charmosamente “decorado” com costumes, culinárias e gírias locais e no traço marcante do francês Clément Oubrerie. Um outro lado da África - divertido e suave - que mal conhecemos. Curiosidade: Como Persépolis uma animação de Aya está sendo produzida.

 

Assunto de Família (Devir)

Depois de 1978 quando lançou Um Contrato com Deus e o termo graphic novel (“novela gráfica”), Will Eisner, como vinho, melhorava cada vez mais (apesar de particularmente não gostar de sua última e didática obra, O Complô). Como em outras de suas obras, o autor revisita a instituição família e eviscera tudo no reencontro dos parentes no aniversário do patriarca, debilitado e dono de uma grande herança. Tudo com o tom sépia, a narração e os traços habituais do mestre. Ainda permanecem inéditas por aqui pouquíssimas HQs pós 1978. Curiosidade: Assunto de Família concorreu ao Eisner Awards em 1998.  

 

Batman - A Piada Mortal (Panini)

Originalmente lançada na esteira do filme Batman de Tim Burton (1989), a pequena obra-prima de Alan Moore e Brian Bolland foi reeditada, com direito a capa dura, extras e nova colorização soturna do próprio Bolland. Como a bela capa já nos mostra, não é uma HQ do Homem-Morcego. A origem do Coringa contada com maestria e estilo do autor britânico, com flashbacks, falas como rebites de outras cenas e muita, mas muita ironia (o desfecho é chocante). Uma passagem que sempre ficará na nossa cabeça: a sequência onde o vilão atira e aleija Bárbara Gordon, a Batmoça! Curiosidade: Moore não gosta desta história.

 

Breakdowns - Retrato do artista quando jovem %@$*! (Quadrinhos na Cia.)

Art Spiegelman é sempre lembrado por Maus - a história de um sobrevivente. Só que existem bons quadrinhos como À Sombra das Torres Ausentes e Breakdowns. Esta coletânea é um apanhado de várias HQs curtas que o autor lançou na década de 1970, com direito a uma ótima introdução em forma de quadrinhos, melhor até do que os principais. Um livrão capa dura com acabamento luxuosíssimo (como À Sombra...) e vital para uma referência underground sem ser a do Robert Crumb. Resenha da obra na minha coluna no ETC - Entretenimento, Tecnologia & Contemplação.

 

Copacabana (Desiderata)

Début do editor Sandro Lobo com o traço estilizado e sujo de Odyr Bernardi sobre o lado B do Rio de Janeiro, com prostitutas, agiotas, travestis, turistas sexuais, policiais, traficantes e escritores de folhetim. Tudo começou anos atrás com as andanças do autor insone pelas ruas da cidade, recolhendo “de ouvido” casos e histórias da noite carioca. Uma trama noir tupiniquim onde tudo está interligado, até mesmo o moleque que vende doces nos transportes coletivos. HQ de primeira mostrando uma Cidade Maravilhosa não tão maravilhosa assim...

 

Coringa (Panini)

A maioria que li de Brian Azzarello é bastante ruim comparado a 100 Balas (desenhada por Eduardo Risso). Mas ele acertou em colocar um bandido pé-de-chinelo para narrar e dar toda a atenção ao Coringa (Batman mal aparece), que após sair da prisão quer retomar seu império. A arte de Lee Bermejo, ora mais “limpa” e funcional (quando auxiliado por Mick Gray), ora mais detalhada e vistosa (arte-finalizada por ele mesmo), concede intensidade a momentos na trama. Curiosidade: o visual do Coringa é bem parecido com Heath Ledger no filme O Cavaleiro das Trevas.

 

Demolidor - O Homem Sem Medo (Panini)

Hoje em dia Frank Miller não acerta a mão nem nos quadrinhos (vide Grande Astros: Batman) e nem no cinema (vide o horrível The Spirit), mas antigamente ele sabia fazer uma HQ. Prova disso é O Homem Sem Medo, a origem do Demolidor recontada pelas mãos (na época) hábeis de Miller e no traço inimitável de John Romita Jr. (talvez seu melhor trabalho). A morte do pai, o acidente que o cegou, o treinamento com Stick, a paixão por Elektra e o confronto com o Rei do Crime. Todos os elementos que fazem parte do universo do herói estão lá. Tudo que Frank Miller foi um dia está lá.

 

Escalpo (revista Vertigo, Panini)

Os Sopranos indígena? Não é simples assim. Jason Aaron e R. M. Guéra fazem uma hábil narração que brinca com a cronologia nos primeiros números. Cavalo Ruim volta para a sua reserva 15 anos depois e conquista a confiança do “Poderoso Chefão” Corvo Vermelho, que oferece um emprego na polícia tribal. Mas nada é o que parece. Nação Indígena, o primeiro arco, tem pérolas como “Eu te deixei me ver mijar, seu idiota! Isso não significa algum tipo de compromisso?”, quando a namoradinha de infância confronta o protagonista no reencontro. Promete e muito!

 

Eu sou Legião (Panini)

Segunda Guerra Mundial e... vampiros?! Parece nonsense, mas o roteirista francês Fabien Nury, desconhecido por aqui e badalado na Europa, traça uma bem-amarada trama com cadência cinematográfica. Uma jovem camponesa capaz de controlar seres vivos à distância é a arma principal dos nazistas. Os Aliados ganham terreno com vitórias no Pacífico e Stalingrado. E ainda tem a Operação Valquíria no meio de tudo. Complicará um pouco para quem não sabe nada sobre o tema (a edição não tem nenhum extra sobre o assunto). A arte detalhista do norte-americano John Cassaday (Planetary), junto com as cores hiper-realistas da Laura Depuy, dão o clima à originalidade desta HQ europeia. Um ótimo exemplo de Bande Dessinée!

Como em alguns quadrinhos: "CONTINUA..."



:::: Escrito por Audaci Junior às 14h00
[   ] [ ]




Quimby the mouse

Enquanto a HQ Jimmy Corrigan - o menino mais esperto do mundo (Ed. Quadrinhos na Cia.) não vem, uma ótima animação baseada em outra obra de Chris Ware: Quimby the mouse, com animação de John Kuramoto, embalada pela canção "Eugene", de Andrew Bird.

E que venha ACME Novelty Library!



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h52
[   ] [ ]




"Os Mestres do Universo"

Esquerda pra direita: acima o grande Gil Kane, abaixo o pequeno grande homem Jack "The King" Kirby, atrás o questionável Stan Lee, a frente o psicodélico Jim Steranko, atrás o bigodudo Will Eisner e ao lado um dos pais do homem de aço, Jerry Siegel. Apenas Lee e Steranko estão vivos...



:::: Escrito por Audaci Junior às 17h15
[   ] [ ]




LUZ, CÂMERA... GIBIS!

ESTÁ FALTANDO CRIATIVIDADE EM HOLLYWOOD?*

 

CINEMA e histórias em quadrinhos (HQs) – sétima e nona artes, respectivamente – vieram praticamente juntos no fim do Século XIX, consequência da Revolução Industrial. Ambas são filhas da cultura de massa, com a consolidação dos quadrinhos no respaldo da cultura jornalística inicialmente, e o cinema fundamentado como seu próprio veículo.

Sem julgá-las no âmbito de seu valor artístico, focaremos no seu lado industrial, onde concentram essas massas: o cinema blockbuster e o gênero super-heróico.

 

Esporádicos

Desde os anos 1930 os quadrinhos serviam de base criativa para o cinema, seja em longas-metragens ou seriados, formato que depois migraria para a TV. Comparadas hoje em dia, as adaptações se apresentavam de formas esporádicas e tímidas, vide Flash Gordon, de Frederick Stephani (1936), Superman, de Richard Donner (1978) e Batman, de Tim Burton, no final da década de 1980, entre outros. Este último se consolida como a quinta maior bilheteria de todos os tempos na época, apesar da série ser extinta por causa do fracasso de público nas mãos do diretor Joel Schumacher.

 

O grande “boom”

Mas o “boom” dos quadrinhos nas telonas irrompe em 2000 com o início da franquia X-Men, de Bryan Singer, e ecoa dois anos depois com o Homem-Aranha, de Sam Raimi. Para se ter uma ideia do sucesso desses filmes, o primeiro longa-metragem do aracnídeo arrecadou US$ 115 milhões apenas em um final de semana, e O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan (2008), sequência de Batman Begins (2005), em apenas um dia arrecadou cerca de US$ 67 milhões nos EUA. Por causa do “retorno” lucrativo quase certo, até mesmo o Homem de Aço foi “ressuscitado” e reinterpretado 20 anos depois do fim da franquia.

A cada ano o que se observa é uma progressão no número de adaptações cinematográficas baseadas em gibis e também nos números do faturamento dos blockbusters. Super-heróis como Hulk, Wolverine (vindo dos X-Men), Demolidor, Quarteto Fantástico, Homem de Ferro ganham vida. HQs menos conhecidas do grande público também fazem sucesso, como Hellboy, Sin City, 300 e Watchmen.

Existe também o crescente de produção dos filmes/quadrinhos mais “sérios”, mas que não fazem parte do mainstream como Estrada para Perdição, de Sam Mendes, Anti-Herói Americano, de Pulcini e Berman (ambas de 2002) e Uma História de Violência, de David Cronenberg (2005).

 

Revolução digital

As HQs e o cinema possuem ritmo visual, linguagem e recursos muito parecidos, como a montagem, enquadramentos, iluminação e profundidade de campo. Com toda paridade e comprovação de muitos êxitos nas bilheterias uma questão vem à tona: por que só agora as histórias em quadrinhos são principais fontes para a Meca hollywoodiana?

Segundo o jornalista Gonçalo Jr., crítico de cinema e estudioso em quadrinhos, “o computador deu mil possibilidades do cinema tornar os gibis mais ‘realistas’ possíveis. Basta ver o Aranha pulando de prédio em prédio ou o Senhor Fantástico salvando um bombeiro na ponte Golden Gate. Tudo ficou maravilhosamente verossímil. E esse era um antigo sonho dos produtores de Hollywood.”

A revolução digital também é a visão do jornalista e crítico português Pedro Cleto, do Jornal de Notícias. “Por outro lado, acredito que para isso também contribui o facto de estar nos locais de decisão uma geração que cresceu com esses quadradinhos e que de alguma forma revive as suas emoções de criança através desses filmes” reflete. “Pela mesma razão, tantas estrelas do cinema ‘lutam’ por aparecer nos filmes.”

 

Hollywood falida?

Mas nem todos querem ver seus personagens saírem do papel para a película. Um exemplo de insatisfação com tais adaptações é do britânico Alan Moore, famoso por escrever obras como Do Inferno, Liga Extraordinária, V de Vingança e mais recentemente Watchmen, todas em versões cinematográficas nas quais não quer ser creditado, muito menos remunerado. “Hollywood e a cultura americana em geral me parecem criativamente falidos”, diagnostica o escritor. “Não me lembro da última vez em que Hollywood tenha tido ideias novas”, ataca.

Já Gonçalo Jr. não crê na falta de criatividade pelo motivo do cinema independente estar tomando conta de Hollywood, além da revisão dos valores éticos e morais pós 11/09. Quanto a onda das HQs no cinema pensa que é algo à parte, prevendo que este “filão lucrativo” dos gibis em carne e osso acabará em, no máximo, cinco anos. “Soma-se a isso o fato de muitos imbecis metidos a críticos de cinema por todo Brasil odeiam quadrinhos, acham uma arte menor e torcem o nariz para essas adaptações.”

Fim dos modismos, da criatividade ou não, algo é sempre certo e inexorável como nos quadrinhos de super-heróis: eles sempre voltam.

(*) Artigo de Audaci Jr. publicado no Caderno 2 do jornal “Correio da Paraíba” em 16/06/09 - Fotos (de cima para baixo): Superman - o filme, Homem-Aranha 2, X-Men Origens: Wolverine, Estrada para Perdição e Watchmen



:::: Escrito por Audaci Junior às 23h59
[   ] [ ]




Costurando uma resposta...

A Conexão Comix fez uma promoção de Retalhos (Blankets no original), novela gráfica autobiográfica de Craig Thompson lançada recentemente pela Editora Cia. das Letras.

Nas suas belamente ilustradas 600 páginas Thompson conta sua infância e adolescência na nevada cidadezinha de Wisconsin. Como foi sua criação sob educação severamente cristã dos pais, o convívio ao lado do irmão caçula e a descoberta do primeiro amor com todas as angústias que isso pode trazer. Retalhos já ganhou quatro prêmios Harvey, dois Eisner e dois Ignatz.

Na promoção bastava responder a seguinte pergunta: "por que eu devo ganhar o Retalhos?" A escolhida ganharia a premiada história em quadrinhos (quando o livro chegar escreverei uma resenha por aqui).

Eis minha "resposta" selecionada:



:::: Escrito por Audaci Junior às 14h41
[   ] [ ]


[ página principal ] [ ver os escarros anteriores ]


 
:::: CUSPIDAS!

:::: REMINISCÊNCIAS!

:::: PRA CAIR FORA!








































































:::: LINKAR O BANNER!

:::: ESCARRÔMETRO!
  Dê uma nota pro blog


O que é isto?!